SC Melgacense volta às Comissões Administrativas, mas deixa para trás o fantasma da dívida milionária

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A presidência de Emídio Afonso deixou, ainda assim, o fantasma da dívida para trás – um enorme ‘vulto’ que chegou a ultrapassar os 300 mil euros em 2013, época em que tinha uma despesa mensal com plantel e equipa técnica de 7800 euros – e que deixa apenas a Henrique Silva a ‘ginástica’ das contas e algum jogo de cintura, pelo menos até Janeiro de 2024.


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Henrique Silva aposta nas raízes e quer mais fanatismo no apoio ao clube

Foram precisos 31 pontos e uns generosos 36 golos marcados [na 2ª fase, de apuramento de subida] para que o Sport Clube Melgacense alcandorasse o topo da tabela da 2ª Divisão da AFVC. O técnico Tiano Faria, apoiado por José Domingues, treinador-adjunto, orientaram o desempenho sólido de um plantel que está, a cada época, a aproximar-se da sua terra-mãe, apostando nos valores da casa, ainda a recuperar (financeiramente, sobretudo) dos sonhos de outras épocas.

Contudo, Emídio Afonso, que assegurou a presidência do clube até ao dia em que os atletas seguraram a Taça de campeões, saiu num bom momento, por incompatibilidades da vida pessoal com o exercício de gestão que se impõe cada vez mais no clube.

Henrique Silva, que já vinha assumindo funções na orgânica diretiva, foi o sucessor natural que se pressentia, depois de, por falta de elementos para formação de lista, se determinou em Assembleia ficar a liderar a Comissão Administrativa do clube para a época 2023/2024.

A presidência de Emídio Afonso deixou, ainda assim, o fantasma da dívida para trás – um enorme ‘vulto’ que chegou a ultrapassar os 300 mil euros em 2013, época em que tinha uma despesa mensal com plantel e equipa técnica de 7800 euros – e que deixa apenas a Henrique Silva a ‘ginástica’ das contas e algum jogo de cintura, pelo menos até Janeiro de 2024.

“Conseguimos pagar a grande divida que havia e conseguimos abater muito da dívida da Associação [de Futebol de Viana do Castelo], que também era grande, relacionada com inscrição de jogadores e arbitragem. Conseguimos reduzir para metade e já temos acordo para pagar de forma faseada, até ao final da época de 2024, mas ainda temos algumas dificuldades financeiras”.

Acima falamos de 300 mil euros, agora somamos de menos. Henrique Silva garante que o total das dívidas deverá “rondar os 12 mil euros”, e com um prazo no horizonte mais realista.

“O nosso objetivo era ter as contas todas saldadas no final desta época que terminou. Ainda temos algum dinheiro a receber e talvez consigamos reduzir”, notou, mas só o balão de oxigénio de Janeiro do próximo ano, proporcionado pela autarquia, permitirá sair desta situação.

O Município de Melgaço determinou um apoio de 90 mil euros para duas épocas – 50 mil euros para a época 2022/2023 e 40 mil euros para 2023/2024 – a transferir em tranches, mas nem o aparente confortável apoio autárquico faz respirar de alívio.

“O nosso orçamento o ano passado rondou os 80 mil, contando com o pagamento de uma tranche da dívida. Pagamos trinta e tal mil euros da divida. Não havendo isso, gastaremos 60 a 65 mil, estando na 1ª Divisão”, perspectiva o presidente da Comissão Administrativa.

A justificar o orçamento estão as despesas com deslocações, arbitragem, que “quase dobra”, com a subida de Divisão. “O que pagamos a uma equipa de arbitragem na 1ª Divisão quase dava para dois jogos da 2ª”, notou Henrique Silva.

O transporte de todas as equipas – sénior + escalões de formação – absorve também grande parte da verba. “Quantas mais equipas temos, e tivemos oito equipas a jogar nos diversos escalões, mas transporte é preciso e a autarquia não suporta transporte para tantas equipas. Então socorremo-nos de uma empresa privada para nos fazer os transportes, mas sai muito caro”, observa ainda.

Henrique Silva descarta para já pedir mais patrocínio aos pais dos atletas em formação, uma vez que estes já pagam a inscrição das crianças (60 euros) e o apoio atribuído pela Câmara para o clube é precisamente para a formação.

“O clube tem de gerir esse apoio da Câmara, pedir aos pais era complicado. A nossa ideia é angariar fundos, estar no Mercado Medieval com uma barraquinha, fazer alguns eventos no bar, dinamizar o bar aos fins-de-semana e quando há jogos das formações”, sugere.

Pede ainda mais carinho dos melgacenses pelo clube, que começa cada época com cerca de 50 pessoas na bancada. “Agora no final, como a equipa estava a ganhar e íamos ser campeões, o pessoal veio, mas o ideal seria que o pessoal viesse todos os domingos”, observou, pedindo uma afición como viu “há dois anos”, com o “exemplo admirável” do Cardielos. “Veio cá jogar e trouxe cerca de 200 pessoas. As pessoas vão, fazem claque. Não fomos lá jogar, mas imagino que, se aqui tinham 200, lá devem ter 600!”.

“Quando era jovem, estava em Braga e vinha ao fim-de-semana [a Melgaço], e ia sempre ver os meus amigos jogar, ainda no campo antigo. O domingo à tarde era para aquilo, e juntava-se gente. Atualmente nem os amigos dos jogadores vem”, atira.

Formar plantel quando só há “prémios de jogo” não é fácil, e adicionada a distância que um jogador de fora do concelho tem de percorrer a cada dia de trino torna o processo ainda mais difícil.

“Os jogadores já não estão dispostos a fazer quarente minutos de viagem, mais uma hora e meia de treino e voltar, são três horas de um final de tarde”, considera o presidente da CA, avançando, contudo, que “a maior parte dos jogadores do ano passado” se mantém para a época prestes a arrancar. Saída inevitável é a de Leandro “que não merecia estar numa Divisão tão baixa, tem muitos pretendentes da Liga 3”, mas já há contratações, a anunciar durantes o mês de Agosto.

No que respeita aos patrocínios, o clube quer renovar com o patrocinador principal, e fazer nova abordagem às empresas locais.

“Conseguimos atrair algumas. O nosso patrocinador do ano passado, o Intermarché, que patrocinava as nossas camisolas todas em todas as camadas, há três anos que estava com um patrocínio mínimo, nós conseguimos negociar um patrocínio muito bom para todas as camadas. Fizemos acordo e conseguimos trazê-los para cá novamente. Não sabemos se vão ser os patrocinadores para a próxima época, mas esperamos que se mantenham. Fomos vencedores”, reforça Henrique Silva.

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“Sei que chocou alguns vereadores a proposta de formação de uma entidade privada aqui próxima, no valor de 15 mil euros, mas é preciso entrar em contacto com a realidade, entrar em simuladores com fogo real. Não é só esticar mangueiras na parada, ligar e regular uma agulheta. Há novas técnicas de combate, hoje em dia a maior parte dos incêndios urbanos não se apagam com muita água, é com pouca, tem é de ser bem aplicada”.
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