Melgaço inaugurou Zona Empresarial de Alvaredo e deu um enorme passo na “revolução energética”

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O descerramento da placa que inaugurou a 1ª fase da Zona Empresarial de Alvaredo fez-se com honras da visita da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no dia 9 de Janeiro – a última visita ao concelho de um membro do XXIIIº Governo, liderado por António Costa, a seis dias da dissolução da Assembleia da República, que aconteceria no dia 15 – e marcou o início de uma nova fase no sector empresarial/industrial local.

O presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, assume que este será inclusive o início da “revolução do ponto de vista energético, com a construção de seis hectares de produção de energia fotovoltaica”, o que tornará o concelho de Melgaço “o maior município do Alto Minho na produção de energia fotovoltaica e o primeiro a produzir hidrogénio verde, que será, certamente, o combustível do futuro”.

Ainda durante o mês de Janeiro a autarquia lançaria aviso de que estariam disponíveis para candidatura, no âmbito da bolsa trimestral, apenas dois dos cinco lotes estruturalmente desenhados para esta primeira fase, inclusive e o de maior dimensão (lote 1), com 22.887 m². As candidaturas para os lotes 3 e 4, com 2.686 m² e 3.236 m², respetivamente, estão abertos a candidaturas até 31 de Março.

O processo da Zona Empresarial de Alvaredo remonta a 2013, aquando da revisão do PDM que definiu a zona agora inaugurada como área industrial e, já em 2018, a autarquia avançou com o projeto global da zona industrial e de execução da 1ª fase de obra em 2021.

O projeto abrange uma operação de loteamento com obras de urbanização e acesso à Zona Empresarial, com uma alocação de 35.263 m² para área destinada a cinco lotes, distribuindo-se as áreas de cedência por um lote destinado a equipamento coletivo com 1.685 m², espaços verdes de utilização coletiva com 9.712 m² e espaços verdes de enquadramento com 3.649 m².

Representa um investimento de 2.711.820,22€, cofinanciado pelo FEDER no montante de 1.500.000,00€, no âmbito do Programa Operacional Regional do Norte, Norte2020.

Neste dia foi também lançado o projeto de conceção e execução da Área de Acolhimento Empresarial (AAE) de Nova Geração, cuja candidatura, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foi aprovada em janeiro de 2022, com um valor de cerca de 13 milhões de euros. Esta intervenção vai dotar a Zona Industrial de Penso e a Zona Empresarial de Alvaredo de condições energéticas e tecnológicas de excelência.

A candidatura de Melgaço foi uma das dez selecionadas a nível nacional para esta “revolução” energética, assegurando investimento considerável de um total 110 milhões de euros de Fundos do PRR para o país.

“Inauguramos hoje a primeira fase da zona empresarial de Alvaredo um sonho que começou em 2013. Como todos sabemos, por experiência na vida, é preciso semear. Há muito trabalho a fazer antes de podermos colher os frutos e o que nunca nos faltou foi a força e a vontade de trabalhar por e para Melgaço. Em dia de inauguração, dizer-vos que temos em mãos candidaturas de empresas que, a serem validadas (porque estamos no período de análise e de relatório), ocuparão mais de 80% da área empresarial hoje inaugurada. Para quem desconfiava da nossa capacidade de atratividade, esta é a prova provada de que temos um caminho de crescimento e de desenvolvimento para fazer, seremos um município com mais emprego, com maior rendimento, com mais exportação e capaz de atrair mais pessoas”, notou o edil de Melgaço, na sessão inaugural, que decorreu na sala panorâmica de provas da Quinta de Soalheiro.


Manoel Batista justificou ainda o convite à Ministra da Coesão Territorial para o momento inaugural da ZEA.

“Conosco, neste momento, temos uma mulher excecional, uma amiga dos territórios do interior, a Ministra Ana Abrunhosa. A marca que imprimiu no país nestes mais de quatro anos em que assumiu a tutela da Coesão, é eterna. A ela se deve uma viragem coperniciana na forma de fazer política de desenvolvimento. Com olhar assente na coesão territorial, sempre defendeu o desenvolvimento integral do país e os interesses dos municípios. Melgaço deve-lhe muito. Esta obra só seria possível inaugurar com a sua presença. É uma honra, mas também uma forma de agradecimento, o convite para que viesse inaugurar a Zona Empresarial. Em nome de todos os melgacenses o nosso obrigado”, reforçou o autarca, estendendo os agradecimentos “a toda a população de Alvaredo e aos proprietários dos terrenos, por permitirem levar a cabo este importante projeto. Um grande obrigado ao presidente Diogo [Castro] porque foi de uma colaboração absolutamente estreita para a construção deste projeto”.

O edil de Melgaço indicou o aproveitamento de espaços da área total de 8,7 hectares, sendo 3,5 deles estruturados para instalação de empresas e o restante para construção de acessos entre a zona de lotes e antiga estrada municipal e a requalificação dessa até à ligação à Estrada Nacional 202, permitindo o trânsito de viaturas pesadas entre a estrada nacional e a zona empresarial.

“A nossa missão é maior e por isso falamos já de uma segunda fase, temos trabalho feito. Em 2023 conseguimos concluir a declaração de utilidade pública para toda a zona da segunda fase temos já projeto de execução pronto para essa mesma segunda fase”, avançou Manoel Batista, agradecendo às equipas da autarquia que tornaram possível a tarefa de cadastrar 121 parcelas afetas à primeira fase da ZEA e mais de 220 parcelas afetas à segunda fase.


O momento foi também de congratular a “ousadia” de António Costa que, enquanto Primeiro-Ministro, “foi capaz de desenhar, sugerir e afirmar um projeto da envergadura do PRR para todos os países da Europa e que tanto está a dar ao nosso país. Ouçam os empresários, ouçam os municípios, ouçam as organizações do sector social e todos darão nota da importância que o PRR está a ter para o nosso país”, sublinhou Manoel Batista.

Sobre o projecto relativo às Zonas Empresariais de Nova Geração, o autarca congratulou de novo Ana Abrunhosa “pelas boas notícias que nos traz”, confessando que foi a Ministra da Coesão a anunciar-lhe que a candidatura tinha sido aprovada.

“Hoje é também o dia de lançamento deste projeto de conceção e execução já com o visto do Tribunal de Contas, para um investimento de 13 milhões de euros. Este conceito a que se chamou de Nova Geração foi lançado com o objetivo de requalificar as áreas de acolhimento de empresariais existentes para uma nova geração de espaços mais resilientes, mais verdes e mais digitais. Serão espaços de demonstração em linha com as novas agendas climática e digital, testando soluções integradas que combinam a produção de energia verde. Teremos 6 hectares de produção fotovoltaica com a produção de hidrogénio verde, que será pioneiro no Alto Minho. Com a energia elétrica produzida e armazenada, teremos condições de alimentar as nossas fábricas, os edifícios públicos e colocar vários carregadores rápidos para veículos elétricos nas zonas empresariais. Com essa energia elétrica produziremos hidrogénio líquido, o combustível do futuro, quer para distribuir na rede de gás, quer para alimentar os veículos movidos a hidrogénio que, sendo já o presente, serão o futuro da mobilidade”.

Manoel Batista



“Com este projeto, temos a certeza de conseguirmos, até 2026, atingir os objetivos que definimos como os mais importantes e com aqueles que mais nos comprometemos: Reforçar a competitividade territorial e promover a atração e fixação de empresas no concelho, contribuindo para o aumento da empregabilidade, facilitar o desenvolvimento mais equilibrado e produtivo. Otimizar as cadeias logísticas. Promover o crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, fomentando a coesão económica, o emprego, a produtividade, a competitividade, a investigação, o desenvolvimento e a inovação. Afirmar políticas para as próximas gerações. Não tenho dúvidas de que estas duas zonas empresariais posicionarão Melgaço na linha da frente em termos de competitividade, no acolhimento empresarial e reforçarão a sua centralidade no contexto da euro-região Norte, Portugal e Galiza, uma das mais importantes da Europa. Estes dois grandes projetos de investimento fazem parte do compromisso que assumi com os melgacenses e estão cumpridos, representam importantes espaços no presente, com olhar no futuro do nosso município”, rematou Manoel Batista.

A Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, sublinhou a importância do dia para Melgaço, “um dia feliz” onde se lançam dois projectos importantes e até a informação de que há um concurso aberto (até Abril) no âmbito do Portugal 2030 onde a autarquia poderá inserir o projecto da 2ª fase da Zona Empresarial de Alvaredo.

Ana Abrunhosa esmiuçou os “palavrões” relativos à nova geração, à transição energética e digital que “no dia-a-dia tem um significado concreto”.

“Porque a ideia é criar, nos territórios, zonas completamente dotadas daquilo que hoje as empresas necessitam: energia para a autoconsumo, de conectividade digital de qualidade, de proteção contra incêndios, de bons acessos. Foi o Ministério da Coesão Territorial, tutelado por mim, com o apoio do senhor Primeiro-Ministro, naturalmente, que aceitou este repto que lhe fiz. Temos um pacote que é interessante para esta requalificação e chamámos zonas empresariais de nova geração”, notou a então ministra em exercício.

Ana Abrunhosa notou para a necessidade de “contar histórias do território” no Conselho de Ministros, “porque é muito importante termos políticas nacionais fortes, mas tão importante como isso é que essas políticas tenham em conta as especificidades dos territórios, possam ter a flexibilidade para ter depois implementações diferenciadas. E daí ser tão importante a regionalização, que não conseguimos fazer, mas conseguimos reforçar e fortalecer e reorganizar os serviços do Estado nas regiões, através das CCDRs [Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional], institutos públicos e também reforçar a descentralização, porque descentralização e regionalização significa passar as decisões e o poder do Estado central para os territórios”, vincou.

Sobre o convite de Manoel Batista para esta inauguração, Ana Abrunhosa agradeceu “pelas palavras excessivas que me dedicou, mas vou muito feliz por podermos ter hoje assinalado aqui aquilo que é a conclusão de um projeto”.

“Disse que o homem sonha e a obra nasce. É bom que o homem sonhe, mas é bom também que todos tenhamos a consciência de que entre o sonho e a obra há sempre muito, muito trabalho. Na política temos, muitas das vezes, pressa, demasiada pressa em ver resultados e a pressa não é boa conselheira”, observou.

Tributo ao “sobreiro que os aturou” e à população de Alvaredo mereceu honras de placa

No local de inauguração, onde figura a placa que simboliza o momento e são identificados o presidente de Câmara em exercício e o representante do Governo convidado para a cerimónia, está também uma placa que presta tributo à Junta de Freguesia de Alvaredo, a toda a sua população e aos proprietários dos terrenos, mas também ao sobreiro “do Gaudêncio”, que viu crescer tantos dos locais e cuja memória o projecto decidiu preservar, por sugestão de Manuel Gonçalves.

“Sabemos bem da importância que este espaço teve e tem para todos. O senhor Manuel Gonçalves, num momento de visita às obras, ainda na fase de arranque, disse-me que aquele espaço, aquele sobreiro, era um lugar mítico para a sua geração, que ali tinham brincado, ali tinham construído os sonhos de menino, ali tinham feito a sua infância. Eu disse-lhe na hora, pois teremos oportunidade de invocar e consagrar essa importância que o território e aquele espaço teve para a cultura de Alvaredo”, notou Manoel Batista.

“O local era importante como fonte de rendimento para as famílias, Pois dali, saiam a lenha, dali saía a madeira, dali saía o mato, importante na agricultura de há uns anos, dali saía o vinho, mas ali também foi o espaço lúdico por excelência para os mais novos. Ali foi construída a “Casa do Sobreiro” de que me falaram. Os mais novos construíram os sonhos, os sonhos importantes para a sua vida”, reforçou o edil, chamando um residente, Venâncio Fernandes, a dar o seu depoimento sobre essa vivência.

“Fizeram primeiro um estrado com rolos de eucalipto e seguraram ao tronco do sobreiro, como arames. A partir daí, montaram a tal casa da tábua. Muita gente lá brincou, hoje já homens. Ainda bem que o senhor Manuel Gonçalves trouxe isto ao senhor presidente, para não deixar esquecer aquele sítio tão emblemático para nós, sobretudo para os dos lugares mais próximos, como o lugar do Maninho, Fonte, Sobreira e até as Bouças”, congratula Venâncio Fernandes.

“Rapazes que ali passaram parte da sua mocidade, ao saberem que há lá uma placa que evoca o sobreiro, o irão procurar e irão voltar àquele local que lhes deu tantas alegrias. O sobreiro merece. Porque os pais tiveram por obrigação criar os filhos, mas o sobreiro teve a ‘obrigação’ de os aturar!  Ainda me lembro de estar em casa e a ouvi-los a gritar e o meu pai dizer que eram os rapazes a brincar no sobreiro do Gaudêncio [propriedade de Gaudêncio Fernandes”, recorda ainda o morador e conhecido promotor das pesqueiras do Rio Minho.




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