Que influência pode ter o projecto de 20 M€ da TEMPOS Vega Sicilia em Crecente para o Alvarinho de Monção e Melgaço?

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“(…) mesmo diante do concelho de Melgaço, nascerá o sexto projeto vinícola da Tempos Vega Sicilia. Localizada próximo da fronteira com a denominação de origem Ribeiro, a adega receberá uvas de vinhas adquiridas pela empresa no Salnés, principalmente em torno de O Grove, Sanxenxo e Cambados”


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A aposta de mais de 20 milhões em Crecente por parte de um dos fortes payers do sector do vinho em Espanha, a Vega Sicilia  – TEMPOS Vega Sicilia a partir de Abril de 1982, quando adquirida pela família Álvarez – é o projecto do século para o concelho galego vizinho, que tem “orgulhoso” o alcalde (presidente de Câmara) Júlio García-Luengo, conforme o próprio admitiu em declarações ao jornal “La Voz de Galicia”, em texto de 9 de Fevereiro 2022.

O estabelecimento da “melhor adega de Espanha” [ainda segundo declarações do alcalde, recolhidas pelo mesmo jornal] no concelho fronteiriço, com Melgaço no horizonte, irá dar novo estímulo ao cultivo de Alvarinho em todo o concelho e obrigará a que a margem portuguesa do Rio Minho pense em estratégias de maior dimensão.

“(…) mesmo diante do concelho de Melgaço, nascerá o sexto projeto vinícola da Tempos Vega Sicilia. Localizada próximo da fronteira com a denominação de origem Ribeiro, a adega receberá uvas de vinhas adquiridas pela empresa no Salnés, principalmente em torno de O Grove, Sanxenxo e Cambados”, diz Marc Barros em texto publicado no site da Revista de Vinhos a 9 de Maio de 2022, indicando não haver ainda percepção que esta “movimentação” do gigante grupo espanhol terá “na vizinha sub-região de Monção e Melgaço, sendo certo, porém, que em termos de notoriedade internacional, a casta Alvarinho sairá certamente reforçada”.

O presidente da Câmara Municipal de Melgaço diz que é o momento de lhe darem ‘troco’ quando fala da necessidade de “articular o nosso território com o que está aqui ao lado”.

“Já falei disso uma ou duas vezes e acho que não fui ouvido, mas continuo a achar que este território terá tudo a ganhar se for capaz de se aliar ao território galego na produção de vinhos. Temos as Rias Baixas aqui ao lado, temos um vale comum, que é o Vale do Minho”, observa, considerando ser tempo de pensar na marca interfronteiriça Minho Valley, englobando assim os dois lados do rio Minho.

“De um lado e do outro, a vinha está presente e destaca-se o Alvarinho. Há muitas outras e nós queremos puxar por elas, mas a casta Alvarinho marca-se e por isso a definição de Minho Valley para estes territórios era absolutamente crucial”, reforça.

A instalação da Tempos Vega Sicilia em Crecente, “em frente a Paços” é sinal de que estão a chegar à região dos alvarinhos “pesos pesados” e que validam a rentabilidade do sector do vinho.

“Significa aquilo que andamos a dizer há muito: A região tem um potencial que só quem não tem uma visão mais larga não consegue ver. Definirmos um Minho Valley seria extraordinário. Lançamos o desafio, agora temos de trabalhar isso”, considerou.

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“Uma burocracia que existe em termos das exportações e em pequenas coisas que nós nem vemos. Um exemplo simples: a certificação de uma balança. A Câmara de Melgaço certifica as balanças mais pequenas. A seguir, a partir de determinado peso, é a Câmara de Valença e, depois, ainda há um instituto nacional que faz a certificação de outros. Três entidades diferentes, quando uma única poderia fazer tudo”.
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