“Contrabando de Letras”: José Velo (fundador do DRIL) recordado nos 50 anos da Biblioteca de Melgaço

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José Velo Mosquera fundou o DRIL (Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação) com um grupo de exilados espanhóis e portugueses. No início de 1961 dirigiu, juntamente com o galego Soutomaior e o português [Henrique] Galvão, o sequestro do transatlântico Santa Maria, uma ação que visava denunciar internacionalmente as duas ditaduras ibéricas.


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Iniciativa decorrerá este sábado (11 de novembro) na Casa da Cultura

O programa de comemoração do 50.º aniversário da Biblioteca Municipal arranca este sábado, 11 de novembro, pelas 9h30, com a ação “Contrabando de Letras”. A iniciativa reunirá autores e artistas dos dois lados da fronteira, como forma de enaltecer a milenar relação entre o Minho e a Galiza, destacando e dando a conhecer um pouco das valências culturais dos dois povos.

A atividade, que terá lugar na Casa da Cultura, prevê a exposição “Love Velo”, o documentário “Xosé Velo, 50 anos depois”, o debate “Minho Galiza, 2000 anos de mãos dadas”, a mesa-redonda “As letras de contrabando Lusofonia e Fronteiras” e um recital poético e musical.

A exposição “Love Velo – Xosé Velo e o princípio do fim do Salazarismo” marca o arranque do programa e será inaugurada pelo presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista. A mostra é composta por um percurso multimédia pela vida e obra de José Velo Mosquera, um notável político e escritor nascido em Celanova, em 1916.

Em 1959, José Velo Mosquera fundou o DRIL (Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação) com um grupo de exilados espanhóis e portugueses. E, ainda, que no início de 1961 dirigiu, juntamente com o galego Soutomaior e o português [Henrique] Galvão, o sequestro do transatlântico Santa Maria, uma ação que visava denunciar internacionalmente as duas ditaduras ibéricas. Mais tarde, o governo brasileiro acolheu os sequestradores como refugiados políticos, e Velo e o seu filho Victor, que também havia participado do sequestro, estabeleceram-se em São Paulo.

Integrada na exposição, terá ainda lugar a estreia do documentário “Xosé Velo, 50 anos depois”, que conta ao espectador o contexto da luta antifranquista em Vigo, onde Velo passou uma parte muito importante da sua vida e onde nasceu o seu único filho vivo, Víctor Velo.

Pelas 11h00, Eduardo Pires de Oliveira conduzirá o debate sobre o tema “Minho Galiza, 2000 anos de mãos dadas”. Doutorado em História de Arte pela Universidade do Porto e Investigador Integrado no ARTIS – Instituto História de Arte da Universidade de Lisboa, é autor de cerca de 250 estudos sobre Braga, Minho e onde os minhotos estiveram no mundo.

Após uma pausa para coffe-break, que acontecerá pelas 11h30, seguir-se-á a mesa-redonda que versará sobre “As letras de contrabando Lusofonia e Fronteiras”, onde Noemia Tato (filóloga e membro da Associação Galega da Língua – AGAL), Mar Varela (Xerente do Clúster Audiovisual de Galicia), Américo Rodrigues (Núcleo de Estudos e Pesquisa do Montes Laboreiro – NEPML) e Mercedes Vázquez Saavedra (escritora, etnógrafa e fotógrafa) irão partilhar o seu conhecimento sobre a temática.

O recital poético e musical “LOVE VELO”, com música de Moisés Quintas e poemas de Xosé Velo, marca o encerramento da atividade, pelas 13h30.

50.º ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE MELGAÇO

Para assinalar o 50º aniversário da Biblioteca Municipal de Melgaço, a autarquia irá promover, ao longo do mês de novembro, diversas atividades culturais, lúdicas e criativas, tais como exposições, documentários, recitais poético-musicais, concertos literários, contos, workshops, entre outras, bem como um reforço online da biblioteca. As atividades terão como palco diversos locais de Melgaço, possibilitando a que toda a comunidade participe.

O programa completo poderá ser consultado no website do Município de Melgaço, aqui.

A Biblioteca Municipal de Melgaço, hoje inserida na Casa da Cultura, foi inaugurada no dia 21 de novembro de 1973. Desde então, este equipamento cultural, também com um polo em Castro Laboreiro, tem promovido díspares ações, sempre com o intuito de partilhar conhecimento com toda a comunidade.
“50 anos é um marco que devemos assinalar. A Biblioteca é um equipamento essencial para toda a população, na medida em que desempenha um papel crucial na formação e desenvolvimento da sociedade. É um espaço que permite a construção de conhecimento e cultura, mas também de lazer”, refere o autarca de Melgaço, Manoel Batista, afirmando que “ao longo destes anos temos vindo a apostar em diferentes atividades, para que possamos agradar e envolver todos os públicos”.


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"Estamos preocupados, continuaremos a fazer o possível, sobretudo na ligação à Segurança Social, porque a ligação com a instituição quebrou-se. Alguém que tem a deslealdade de fazer com a Câmara e com a Junta de Freguesia o que faz, não espera da Câmara nem da Junta de Freguesia a lealdade e a abertura para continuar a colaborar. A lealdade com a instituição quebrou-se. Mas teremos aqui toda a abertura para continuar a conversar com a Segurança Social para encontrar ou procurar encontrar soluções".
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