Faleceu o Dr. Adriano Marques Magalhães, melgacense ilustre e grande amigo do jornal “A Voz de Melgaço”

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Tinha feito em Julho 98 anos e tinha-lhe prometido que queria estar presente nos 100 anos! Tal já não é possível, pois o caro Amigo faleceu em 12 de Dezem­bro, dia litúrgico de Nossa Senhora de Guadalupe, aliás muito venerada na paróquia onde se encontra o Paço da família e onde os seus restos mortais estiveram expos­tos para serem velados por familiares e amigos e para apresentação de sentimentos à família.

Na Igreja paro­quial de Redondela, onde se celebrou a missa exequial, o padroeiro é São Tiago, mas na parede lateral do lado di­reito está pendurada uma tela reproduzindo a Virgem de Guadalupe, tal como ficou esculpida no manto de Juan Diego, o vidente. O dia 13 de Dezembro, dia do funeral, é dedicado a Santa Luzia, o que é também de assinalar como feliz coincidência, pois é a luz da fé quem mais ilumina a nossa mente e o nosso coração, sobretudo em momentos como o da morte de um ser querido. Nós, os cristãos, sabemos que, com a morte, apaga-se a nossa presença física nesta terra, mas ganha-se a verdadeira Vida, em Deus e com Deus, para todo o sempre. É o que denominamos Vida eterna, na qual o bom Amigo firme­mente acreditava.

Fomos 4 sacerdotes a concelebrar, presidindo o páro­co e fazendo a homilia um sacerdote amigo da família, da Opus Dei, a residir em Lisboa. Ajudou a interiorizar o que a nossa fé nos ensina e que o Dr. Adriano procurou viver e comunicar, sobretudo na família, mas também na vida pública e empresarial. No final da Eucaristia, o pároco, que de há muito conhecia o Dr. Adriano, pois é natural de Filgueira, bem perto de São Gregório, recor­dou as vezes que fizeram juntos a viagem de comboio até Redondela.

Aproveitou até a presença do Presidente da Junta da Galiza para lembrar a necessidade de melhorar as comunicações ferroviárias entre as duas localidades. E destacou no Dr. Adriano sobretudo o seu amor apaixo­nado pela esposa Rita, falecida em 2011, e pelos filhos, bem como o empresário preocupado com o bem-estar dos seus empregados, que mais tratava como verdadei­ros colaboradores.

A sepultura foi no cemitério de Pereiró, em Vigo, em jazigo por ele adquirido há já muitos anos.

Adriano Magalhães, natural de São Gregório, manteve sempre a casa de família e uma estreita ligação à terra na­tal. O casamento com Rita Regojo Otero e os 6 filhos que resultaram dessa união constituem o melhor legado da sua vida. A Noemi morreu há mais de 20 anos, num desastre de automóvel, quando regressava a casa, depois de uma estadia de 2 meses na Índia, a ajudar na obra da que hoje é Santa Madre Teresa de Calcutá. Por estranha coincidência, a curva fatídica que provocou o acidente mortal chama-se ‘curva dos prazeres’. Há fenómenos que nos escapam.

Uma jovem a finalizar os estudos universitários, que passa as fé­rias a fazer o bem aos mais pobres e miseráveis dos pobres – neles vendo e beijando o próprio Cristo, como refere São Mateus no capítulo 25 – é chamada à presença do Criador de uma forma tão violenta e brutal, humanamente falan­do, mas certamente como a flor mais bela do Jardim que mais perfume e beleza levou para o Céu. Sei que o texto que então escrevi marcou profundamente os pais e irmãos e que os ajudou a superar com menor dor a perda de tão querida filha e irmã.

Os outros irmãos são: José António, Maria Rita, Ale­jandro, Maria del Mar e Adriano. A todos dei um sentido abraço. A mãe, Rita, faleceu inesperadamente em 2011, com 82 anos, deixando marcas profundas de saudade, ela que era uma mãe extremosa e esposa apaixonada, e mais apaixonada ainda pelas crianças de­samparadas, para as quais fundou uma organização e a manteve e divulgou o mais que pôde.

Adriano Magalhães fundou a em­presa têxtil Parténon, dedicada ao fabrico de uniformes para diversas corporações: bombeiros, polícia, sol­dados, etc. Continua uma empresa pujante, contando também com uni­dade fabril em Portugal. Na política, Adriano militou no Partido Popular (PP), exercendo vários cargos: Vice-Presidente da Deputação de Ponte­vedra, a ele se devendo a criação da Faculdade de Belas Artes, pelo que foi condecorado com Medalha de Ouro da mesma instituição, cerimónia em que estive presente e na qual pude verificar a estima que o bom Ami­go granjeava.

Entre outros, ali este­ve Ana Pastor e Mariano Rajoy, com exercício de altos cargos no governo da nação, ela Ministra e ele primeiro-ministro. Foi também muito amigo de Fraga Iribarne, deputado do Partido Popular e também Senador do Reino. Exerceu ainda como cônsul geral do Equador para as 4 províncias galegas. Isto durante mais de 50 anos, pelo que recebeu também a mais alta condeco­ração do referido país: a Gran Cruz da Ordem de Mérito Civil. Teve várias outras condecorações, entre elas: a Grão Cruz da Casa Real Portuguesa, e a de Co­mendador da Ordem do Infante Dom Henrique e também da Real Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa.

De realçar ainda o monumento aos pastorinhos de Fá­tima no outro lado da fronteira de Puente Barjas.

Publicou várias obras, sobretudo coletâneas de textos que publicou em vários jornais, especialmente no «Faro de Vigo», de que era colaborador habitual.

Era um prazer conversar com ele, senhor de vasta cul­tura, acolhedor e encantador na conversa.

A minha presença no funeral foi facilitada pela boleia que a Dra Maria José Marques, a filha Sofia e o genro Rui me deram, partilhando memórias comuns de alguém de quem eram parentes e que há vários anos estreitamos re­lações em almoço nas Taipas, ainda era vivo o Dr. José Vale, marido da Maria José, uma das filhas do conhecido Sargento Marques. Foi ocasião para encontrar outro gran­de amigo, o José Afonso Marques, parente do Adriano, que regularmente me informava do que ia acontecendo com o caro e comum amigo.

Aqui fica um bocadinho do meu sentido preito de gra­tidão a quem tanta estima me dedicava e que tanto apre­ciava e ajudava «A Voz de Melgaço».

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