Nova vida para “Os Simples” PRECISA-SE

Avatar photo
Maria José Silva quer mais autonomia para o teatro amador local


Publicidade

Maria José Silva, que assume a Direcção d’”Os Simples” – sucedendo a Clara Araújo, que desde 2005 dirigia a reactivação do grupo de teatro amador de Melgaço – quer “reestruturar, arrumar a casa” e “por ordem nas coisas”.

Embora constituída como associação, “passou por várias fases” e ao longo delas houve elementos que saíram e outros que entraram, mas a cara da nova gestão diz que “está na altura de por as coisas a funcionar legalmente e como deve ser” até porque cada minuto conta e a indefinição está a fazer a associação perder apoios fundamentais para tornar possíveis os espectáculos que tem esgotado o auditório da Casa da Cultura.

“Temos de ter um plano de actividades e queremos fazê-lo como deve ser”, diz Maria José, avançando a intenção de abrir a participação da população neste grupo que foi ganhando profissionalismo, sem deixar o cariz amador.

“Entre as mudanças que queremos operar no grupo é criar a nossa autonomia. Em termos monetários a autarquia não nos apoia, porque não temos a associação regularizada. O que cobramos [de entrada nos espetáculos] é um valor irrisório, não é uma coisa que nos dê grande margem de manobra. Mas sai-nos do bolso. Toda a indumentária para as peças somos nós que arranjamos”, notou ainda.

O apoio das Comédias do Minho, a associação intermunicipal que há 20 anos (desde 2003) promove a actividade cultural nos municípios do Vale do Minho, sobretudo na área do teatro, tem o seu próprio programa a cumprir em cada um dos concelhos e Maria José diz que a actividade teatral local não pode ficar refém da disponibilidade técnica ou logística daquela associação.

“Nos cenários, por exemplo, muitas peças de cenário que façam falta, as Comédias disponibilizam, mas se algo faltar e eles não tiverem, temos de ser nós a ter essas coisas e queremos ter autonomia para podermos fazer isso. Construir os nossos cenários, termos equipamento de som, de luz, ter uma pessoa a trabalhar connosco que tenha conhecimento de som e luz, que nos permita ser uma mais-valia”, reiterou Maria José Silva.

As peças englobadas no âmbito do programa intermunicipal da Comédias do Minho são sempre um sucesso popular, enchem auditórios e são o melhor cartão-de-visita dos grupos de teatro amador de cara concelho. Maria José considera que as duas apresentações (uma fora do concelho, outra para a população local) são “muito pouco, para o trabalho que temos para preparar tudo”.

Em 2022, a peça “Presidente de Coisinha Nenhuma” teve duas apresentações, ambas de sala cheia e o sucesso que o género comédia tem por cá aguça mais a vontade da associação em tornar a apresentação teatral presente.

“É muito pouco para nós. Queríamos expandir o nosso trabalho, mesmo em termos de outros concelhos, ou pelo país. Mas estamos sempre limitados. Se criarmos maior autonomia, é mais fácil até para nos deslocarmos a outro sítio do que estarmos dependentes das Comédias [do Minho], que tem a sua própria agenda de espectáculos”, nota a responsável.

A vontade é de “apresentar a peça ensaiada em mais datas, para que o trabalho que temos durante aquele ano seja mostrado em mais sítios, no concelho ou fora dele”.

“Poderemos fazer um remake de outras peças, ou uma selecção, mas para já a ideia é mostrarmos o trabalho que temos naquele ano. Em Melgaço sempre fomos bem recebidos e o publico sempre aderiu em massa às peças”, sublinha ainda Maria José Silva.

Em reunião, a nova direcção questionou a possibilidade de descentralizar também a apresentação de espectáculos, que será uma das bandeiras desta gestão.

“Uma das mudanças que abordamos foi a situação e viabilidade de pegarmos nas coisas e irmos a Castro Laboreiro, por exemplo, apresentar a peça lá. O mais indicado será à tarde, mas nas Freguesias mais longínquas temos que ir lá. Temos de reunir com Presidentes de Junta, e perceber o feedback das pessoas, mas acredito que pode resultar muito bem”, antevê a promotora de um período mais dinâmico para o teatro amador.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigo Anterior

“Não temos de ter vergonha daquilo que é nosso”

Artigo Seguinte

Projecto NUTRIR: Desde 2021 a construir uma estratégia para mexer com a produção no Alto Minho

Pode também ler

Um novo ‘capitão’ de Abril: Manuel Morais – a luta contra a extrema-direita e uma data de aniversário muito especial

"As pessoas deixaram-se envolver no discurso do ódio, expurgaram nele todas as frustrações. O senhor deputado André Ventura teve o mérito, conseguiu que o seu discurso seja o discurso padrão das forças de segurança e de uma substancial parte dos eleitores: A culpa dos males do mundo é dos negros, dos ciganos, dos imigrantes, e dos subsídio-dependentes"
Avatar photo
Ler mais