Publicidade

Publicidade

“Qualquer um assinala os 25 anos de atividade, poucos fazem dos 26 anos uma grande festa como o senhor Fernando”, notava o secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, no momento protocolar da festa de aniversário do Restaurante Miracastro, que juntou no seu largo música e danças, pelo Grupo de Danças da Associação “Raízes” de Castro Laboreiro, e porco no espeto para todos os que quiseram juntar-se.
Para as festas de aniversário geralmente convida-se a família e os amigos e foi isso que fez a gerência do restaurante Miracastro, no coração da vila de Castro Laboreiro. No último mês de julho assinalaram-se os 26 anos de atividade do ‘solar’ do bacalhau com broa e do cabrito à moda da serra e a gerência convidou a comunidade e algumas figuras de referência local e regional para o momento festivo.
Na lista de convivas estiveram o Secretário de Estado do Ambiente (ex-presidente da Câmara de Arcos de Valdevez), João Manuel Esteves; o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues; o presidente da União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, Daniel Alves; o presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Olegário Gonçalves; o Bispo da Diocese de Viana do Castelo, D. João Lavrador, párocos locais e demais representantes das instituições que, como amigos, marcaram presença no final da tarde de 17 de julho, para um ato que marca a nova fase do mítico restaurante castrejo.
A sala do restaurante, no topo do edifício que é também hotel, ganhou mais vista para a serra, um quadro de extremo potencial turístico que aquela sala de refeições não estava a valorizar porque, há mais de 20 anos, “a ideia de conforto era diferente”. Na festa comemorativa dos 26 anos, o hotel mostrou o resultado da intervenção feita nos últimos meses e inaugurou oficialmente o renovado espaço com honras de placa e bênção pelo próprio bispo da diocese, D. João Lavrador.
A nova sala é o culminar de uma aposta que não pretende ganhar lugares sentados, mas prestar a devida homenagem à paisagem que estava à distância de uma parede e algumas janelas acanhadas, relegada para segundo plano.

“O projeto começou no final de julho do ano 2000 e, como prenda algo especial, nós é que oferecemos aos nossos clientes, àqueles que sempre vieram cá e não vinham pelas vistas da sala, vinham pelo convívio connosco e pela nossa gastronomia. Chegou a hora de lhes oferecer aquilo que este entorno nos permite, que é a vista deste vale do Laboreiro”, começa por notar José Carlos Pires, filho de Fernando Pires, o fundador e a razão pela qual esta rede de amigos ganhou honras de Estado e de representação política regional.
Foi por isso “difícil” convencer Fernando Pires a investir cerca de 350 mil euros, mas José Carlos, o filho e chef do restaurante cartaz da gastronomia castreja, entendeu que era preciso dar ‘sustento’ aos olhos dos clientes de hoje.
“Não ganhamos em lugares sentados, mantemos os 140, embora o espaço tenha capacidade para 200 pessoas. Mantivemos o mesmo registo, queremos criar conforto e queremos que as pessoas sintam que há um acrescento ao bem-estar e possam apreciar a natureza no momento de degustar os nossos pratos”.
Os ganhos, em termos de espaço, são perceptíveis desde o momento da entrada: o espaço entre mesas permite melhor circulação e há também os ganhos das antigas pequenas varandas e do telhado que ladeava a sala.

“A vista não era aproveitada. No ano de 2000 havia outros objetivos. As pessoas vinham pela comida, tinha de ser acolhedor, aconchegante, confortável e para a altura era, mas hoje em dia a ideia de conforto mudou muito, as necessidades do cliente são outras, como o conforto visual”, reforça José Carlos.
Em mais de duas décadas, também a utilização de materiais se modernizou e a qualidade também – “há 26 anos não era possível comprar um vidro triplo temperado, nem existia no mercado”, observa José Carlos – o que permite uma cortina elétrica que desce sempre que o sol incide mais sobre as mesas e cria uma barreira de conforto, sem que por isso tire a vista da paisagem.
É na paisagem que o restaurante guarda os seus trunfos, em três vertentes: uma fachada tem como tela o castelo e a serra castreja, outra o granito ex-libris da serra e os pastos onde Fernando Pires cria o gado que sustenta o abastecimento de carnes que serve (é aqui a aplicação real do conceito, do pasto ao prato) e noutra o centro ‘urbano’ da vila de Castro Laboreiro.
Podia – e ainda é possível, em eventos agendados que assim precisem – receber até 200 pessoas na sala de refeições, mas não abdica da aposta no conforto e na nova conceção e vivência dos espaços.
“A casa já estava a trabalhar bem, sem esta aposta no alargamento da sala, ainda por cima não ganhámos mais cadeiras, por isso é que o meu pai pôs muitas reticências. Agora, sei que ele está muito realizado, porque era o sonho dele”, nota ainda José Carlos Pires.
Mas se não ganha em lugares à mesa, ganha em expetativa e potenciais reservas.
“Já tínhamos muita coisa marcada, antes de termos renovado a sala, mas claro, que agora vai funcionar como atrativo, agora já procuram por causa da paisagem. Acho que vamos trabalhar um bocadinho acima da média de anos anteriores, inclusive nos meses de setembro, outubro, vai ser superior. Mesmo no inverno, a sala está climatizada, por isso, com neve vai ser bonito, no outono vai ser bonito, com chuva vai ser bonito. Estamos tão expostos à serra que só podemos ter experiências positivas dos cenários que vamos tendo, ao longo das estações”, assegura José Carlos, o continuador do sonho de Fernando Pires.















