FAF 2026 em novo espaço e com “a maior tenda de sempre” valida aposta “arriscada” do executivo com maior enchente de sempre

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“(…) diziam os nossos críticos que não conseguiríamos, em tão pouco tempo, transformar o espaço e implantar aqui o que hoje temos. É uma bofetada de luva branca para quem criticou este evento”.


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“Sabemos aquilo que o nosso povo gosta!”

De 1 a 3 de maio, foram mais de 100 os alvarinhos em prova na 32.ª edição da Festa do Alvarinho e do Fumeiro (FAF) de Melgaço, e os visitantes, aos milhares, foram povoando o recinto ao longo dos três dias, com uma constante que deixou o executivo autárquico, os expositores e os visitantes satisfeitos com a mudança de ares promovida ao fim de três décadas de evento.

A aposta envolvia algum “risco” (é a própria autarquia que o assume), mas a necessidade que alegavam para mudar o espírito da festa, aproximando-o do seu caráter tradicional, que esteve na génese do evento, associada a um conjunto de circunstâncias que levaram à mudança para o novo espaço, foram determinantes para o sucesso alcançado.

O Centro de Estágios “guardava”, sob uma mancha arborizada já marcada para abate pelo ICNF, um espaço que se revelou de excelência para a FAF 2026, no momento em que o evento inaugurou também um novo layout e um novo registo de programação.

Os primeiros sinais surgiram aquando do lançamento do programa: menos artistas de renome nacional como cabeças de cartaz e mais bandas de música, folclore e humor de cariz popular em palco. Contenção de custos? Sim e não. A autarquia assume que não é defeito, mas sim o novo feitio do evento, embora admita que quererá ouvir os produtores no rescaldo desta edição. E garante que, mesmo com a preparação do novo local e o estabelecimento de novas parcerias, conseguiu manter-se dentro do orçamento de edições anteriores.

“Assumimos, com algum risco, deslocalizar a Festa do Alvarinho e do Fumeiro do núcleo urbano da vila para o Centro de Estágios de Melgaço e podemos dizer, depois de três dias muito intensos, que foi uma aposta ganha. Temos aqui não só o nosso povo melgacense, mas muita gente que nos visita, a tenda completamente cheia — a maior de sempre — e a vivência daquilo que é a nossa cultura, as nossas tradições e o nosso território, que era o mote para esta FAF 2026”, começou por notar o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, a este jornal.

Sobre a animação, a apoteose fez-se no palco e fora dele. Com humor popular e minhoto no primeiro dia — sexta-feira, dia 1 — com As Laurindas; de espírito académico no dia 2, com a Tuna Académica do IPVC; e de folclore e etnografia no dia 3, com os grupos locais da Casa do Povo de Melgaço e da Associação Raízes de Castro Laboreiro, um grupo de Esgueira (Aveiro) e um piscar de olho à vizinha Galiza, com as danças e a riqueza do traje do folclore da Associação Cultural “Barca de Loimil”, gerando momentos de verdadeira celebração popular.

A programação pedia, segundo a autarquia, contenção de custos, mas também a introdução de um maior sentimento de pertença e identidade no cartaz. José Albano Domingues assume que é neste tipo de programação, que segue em contracorrente com a restante política das grandes festas da região – onde há habitualmente um artista de expressão nacional a “motivar” a visitação – que está a nova ‘alma’ do evento.

“A contenção de custos é obviamente uma preocupação. Temos de prestar contas à nossa população, que sabe que tivemos uma herança pesada e todos os dias trabalhamos em autarquia com critério e rigor. Mas a escolha da programação cultural e musical que fizemos vai ao encontro da nossa tradição e da nossa história cultural. Procurámos ter aqui uma programação transversal, desde as concertinas, às rusgas, às tunas académicas, aos DJs — muito importantes para os nossos jovens e menos jovens”, assegurou.

Sobre a ausência de grandes nomes, admite que esse foi um dos pontos em discussão, mas defende a nova identidade do evento: “Não vamos atrás de renomes. Sabemos aquilo que queremos, aquilo que o nosso povo gosta. Não nos queremos comparar com outros eventos noutros territórios, onde o cartaz musical passa por aí.”

Como referido, a preparação do local do evento — incluindo a instalação de infraestruturas base para o funcionamento durante três dias e a criação de uma mais-valia em termos de estacionamento naquela zona nobre do concelho — representou uma despesa e uma obra realizadas em tempo recorde para esta edição. Ainda assim, manteve-se dentro dos valores de outras edições, afirmou o autarca, notando que os números de edições anteriores superam os 300 mil euros e os de 2025 ultrapassaram, “com alguma margem, os 400 mil euros”.

“Escutámos com atenção a oposição, que colocou muitas reservas, não só à questão financeira, dizendo que não conseguiríamos organizar este evento com os números do ano passado. Dissemos publicamente que não os iríamos ultrapassar e hoje estamos em condições de confirmar aquilo que prometemos. Também diziam os nossos críticos — e eu entendo que as pessoas deviam primeiro deixar acontecer para depois, eventualmente, criticar, mas quiseram fazê-lo de antemão — que não conseguiríamos, em tão pouco tempo, transformar o espaço, que era arborizado e onde foi necessário fazer grandes movimentações de solos e de inertes, e implantar aqui o que hoje temos. Hoje [no final do dia 3 de maio], é uma bofetada de luva branca para quem criticou este evento, que creio que está agora convencido de que foi a aposta certa”, afirmou.

“Há algo que caracteriza este executivo, e a que eu sempre aludi durante o processo eleitoral, que é a nossa capacidade de trabalho. Trabalhamos dia e noite, sete dias por semana, com as nossas equipas, com os nossos operacionais, com a comunicação e imagem, com todos os nossos colaboradores, para que fosse possível realizar a festa este ano no Centro de Estágios. Tornou-se uma realidade, está implementada com sucesso e creio que muita gente estará hoje arrependida de ter colocado tantas reservas à capacidade de realização deste executivo”, reforçou ainda José Albano Domingues.

Um “brinde” de Luís Montenegro

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, o Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e o Secretário de Estado do Ambiente, João Esteves — além de autarcas do distrito de Viana do Castelo e de Arbo (Galiza) — estiveram na abertura oficial da festa e quiseram brindar ao momento e ao primeiro grande evento do executivo liderado pela AD em Melgaço.

Luís Montenegro congratulou a beleza e o património natural do concelho, bem como os produtores que, “com espírito empreendedor, capacidade de trabalho e apego às tradições e à identidade”, contribuíram para a confiança com que o Governo enfrenta o momento atual.

Perante os desafios de 2026 — desde o “comboio de tempestades” aos conflitos internacionais que pressionam os preços dos combustíveis — o Primeiro-Ministro destacou uma oportunidade que o comércio português não deve desperdiçar: o acordo União Europeia–Mercosul, que cria uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, com redução de tarifas e facilitação das exportações entre os dois blocos, podendo gerar mais oportunidades para as empresas, preços potencialmente mais baixos e maior cooperação económica.

“Hoje [dia 1 de maio] entra em vigor, ainda de forma provisória, um acordo comercial que liga a Europa aos países da América Latina, o Mercosul. Aproveitem o mercado que se abre, dentro da Europa, mas também para lá dela, ao nível da América Latina”, recomendou.

Ainda no fecho desta edição, José Albano Domingues deixou um agradecimento “aos munícipes e aos visitantes. Ver a satisfação no rosto deles é a recompensa pelo trabalho desenvolvido, mas também a todas as pessoas — colaboradores do município, desde chefias a técnicos superiores e operacionais, aos nossos produtores e expositores, à equipa de comunicação e imagem e a todos os que trabalharam empenhadamente para que esta Festa do Alvarinho e do Fumeiro 2026 fosse um sucesso. Muito obrigado a todos e continuem envolvidos neste certame!”.

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