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Depois de uma primeira apresentação às associações, Juntas e uniões de freguesia e entidades locais, a iniciativa “Acordar a Terra” ganhou força e parcerias para sair do papel e concretizar a sua primeira grande edição. Acontecerá nos dias 15 e 16 de maio, no Largo Hermenegildo Solheiro, com uma programação dedicada à valorização dos saberes e sabores tradicionais da região.
Dinamizada pela comunidade melgacense, a iniciativa conta com a coordenação do Projeto Raízes, do Agrupamento de Escolas de Melgaço, da EPRAMI – Escola Profissional do Alto Minho Interior, da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço, do CLDS 5G de Melgaço e das Termas de Melgaço.
O evento arranca no dia 15 de maio, entre as 21h30 e as 24h, prolongando-se no dia seguinte, 16 de maio, entre as 10h00 e as 22h00.
Ao apelo feito pela equipa coordenadora respondeu mais de uma dezena de associações, e quase a totalidade das Juntas e Uniões de Freguesia já definiu qual a sua mais-valia patrimonial ou saber local a trazer para o evento (apenas três Juntas de Freguesia ainda não fecharam o tema ou o potencial grupo participante); a estas juntam-se ainda oito empresas locais — produtoras de mel, fumeiro, infusões, roscas e queijos — que se associaram ao festival de raízes melgacenses.

Os vinhos, ex-líbris de Melgaço, também vão estar presentes no evento, mas não no formato habitual de outras iniciativas promotoras, com stand próprio. A organização optou por atribuir aos embaixadores dos Alvarinhos de Monção e Melgaço a missão de os representar também dentro de portas: caberá à Real Confraria do Vinho Alvarinho (RCVA), em stand próprio, assegurar a presença e disponibilização de vinhos das marcas que se associem ao evento.
Estão lançadas as bases do programa que, ao longo dos dois dias, permitirá aos visitantes assistir a concursos, degustar petiscos locais, participar em jogos tradicionais e desfrutar de momentos de música, dança e animação. O programa valoriza os produtos locais e agrícolas, bem como os ofícios tradicionais e o artesanato.

Há momentos em que uma terra se reencontra consigo própria e, este, é sem dúvida, um deles. Nunca como agora a comunidade melgacense sentiu um apelo tão forte, tão genuíno, tão profundamente enraizado naquilo que é ser de Melgaço. Um apelo que não vem de fora, mas que nasce do coração da própria comunidade, das suas gentes, das suas memórias e do seu orgulho coletivo.
Pela primeira vez, é a própria comunidade que está na origem da dinamização desta grande celebração. Uma mobilização viva e cheia de significado, que une gerações e aproxima histórias. Aqui, o futuro constrói-se com raízes firmes e mãos dadas: com todos aqueles que vivem, sonham, criam e acreditam nesta terra.
Crianças, jovens e menos jovens, famílias inteiras, agricultores, pastores, apicultores, produtores, empresários, associações, escolas e juntas de freguesia partilham saberes e histórias num verdadeiro encontro de saberes e afetos.
Cada rosto traz consigo uma história; cada contributo reforça o sentimento de pertença. A mostra de produtos locais, a feira dos lavradores, os petiscos e a gastronomia tradicional, os ofícios ancestrais, os jogos tradicionais, os concursos e a animação tornam-se expressões vivas de identidade.
O programa vai ganhando forma como quem tece um pano antigo, fio a fio, com dedicação e orgulho. Os espaços enchem-se, não apenas de pessoas, mas de significado, de partilha e de vida. As escolas mobilizam as crianças e as suas famílias, trazendo para o largo o melhor da nossa ruralidade assim como as empresas de produtos locais como queijos, roscas, fumeiro mel.

Na Cozinha da Terra já se imaginam os potes ao lume, os aromas a espalharem-se no ar e a convidarem à mesa. Cada prato é um regresso às origens, uma celebração dos sabores que nos definem. Um arroz de feijão no pote com petinga frita e bolo da Pedra (Junta de Freguesia de Paderne), sopa de batata com os “rejões” (União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro), um cozido com lampreia seca e bolo da pedra (Associação de Pescadores do Rio Minho); Caldo de Saramagos (Associação Brandeiros); Caldo à Lavrador (Junta de Freguesia de Penso e Associação CRD S.Tiago de Penso). Aqui, também vão ser colocados dois fornos para cozer, ao vivo, a broa de milho e confecionar o Cabrito recheado à moda da Gave (Associação Brandeiros e Junta de Freguesia de Cousso).

Ao lado, a Mesa da Terra evoca as memórias de lavradas, festas e romarias, reunindo aquilo que guardamos no coração e que nos liga uns aos outros. Sopas de burro cansado, presunto, chouriças assadas (União de Freguesias de Parada do Monte e Cubalhão); Rojões de folhos e da barriga, salada de orelha e pé de porco, mão de caca picante, petingas fritas, pataniscas, bacalhau frito, sardinhas de escabeche, fêveras da sorça, bica e broa, bucho doce, pão de ló, rabanadas, pasteis de abóbora, e rosca mulata (Junta de Freguesia de Penso e Associação CRD S.Tiago de Penso); pão com chouriço feito in loco e bucho doce (Associação Desportiva, cultural e Recreativa Melgaço em Patins); Bucho doce, broa de milho, fêveras da sorça, chouriças assadas na aguardente e vinho tinto (Associação Paderne com Vida); sável de escabeche, bogas de escabeche, bica simples, bica com torresmos e vinho tinto (Junta Freguesia Alvaredo e Associação A Batela), Lampreia seca, caldo verde, broa, orelha, bucho doce, pataniscas de bacalhau e vinho (Produtos de Alvaredo); lampreia, sável e alheiras de lampreia (Freguesia de Chaviães e Petiscos de família de Edmundo Vasques); champarrião e petiscos variados (Futsal Clube Alvarinho); petiscos e doçaria (União de Freguesias da Vila e Rouças), entre outros….

Os saberes locais ganham nova vida em demonstrações que são, ao mesmo tempo, memória e futuro. Demonstrações como enrestar cebolas (União de freguesias da Vila e Roussas); debulhar milho com musica e merenda à moda antiga (União de Freguesia de Prado e Remoães); demonstração ao vivo de práticas artesanais: fiar a lã e o linho, bonecas em tecido, bordar, tecer no tear (Centro de Artesanato de Prado); escalar lampreias e demonstração a ensinar a fazer as redes das pesqueiras (Associação dos Pescadores do rio Minho); encher chouriços pelo neto e a avô (Fumeiro da Aveleira); garruços dos farrangalheiros (Associação Raízes de Castro Laboreiro), o Ciclo da lã desde a tosquia de uma ovelha com cardada e fiar a lã (União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro) entre outros que estão a ser delineados. Gestos simples, mas carregados de história, que nos lembram quem somos e de onde vimos.
Também a animação nasce da terra e das suas gentes com a participação do do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço, do Rancho Raízes de Castro Laboreiro, da Escola de Concertinas de Melgaço, a Junta de Freguesia da Gave vai trazer o Grupo de Gaiteiros do Rio Mouro e o Grupo das Rusgas e Amizades da Gave, a União de Freguesias de Parada do Monte e Cubalhão dinamizará as “Cantigas na Roda”, a Junta de Prado e Remoães com cantares e concertinas, o Coro do Centro Catequético Paulo VI com cantares ao desafio e músicas tradicionais à capela; os Simples encenarão a peça de teatro “O regresso à Origens” e os alunos do Agrupamento de Escolas irão promover um espetáculo musical. Tudo num ambiente de festa que é, acima de tudo, um reencontro coletivo.
Até os espantalhos, espalhados pelo recinto, simbolizam esta ligação à terra, enquanto os concursos revelam o talento e a dedicação que brotam da comunidade. Até ao momento já há 20 inscrições no concurso de espantalhos e 15 no concurso de bucho doce, desde pessoas a título individual, famílias e instituições.
Mais do que uma competição, é a expressão de um saber que passa de geração em geração, carregado de memória, dedicação e identidade. Mostra, de forma inequívoca, que aquilo que nasce do seio da comunidade tem uma força autêntica. Uma força que se constrói com tradição, mas também com orgulho em manter viva a herança coletiva.
As escolas, por sua vez, assumem um papel essencial nesta dinâmica, mobilizando alunos e famílias para o concurso de quadras de cantares ao desafio. Aqui, as palavras ganham ritmo e emoção, dando voz às novas gerações que, com criatividade e entusiasmo, ajudam a perpetuar uma das mais belas expressões da nossa cultura popular.
A APPACDM – Pólo de Melgaço associa-se também a esta iniciativa de forma muito especial, contribuindo com a elaboração dos prémios para os concursos. Um gesto que reforça o espírito de inclusão, partilha e cooperação que está na base de todo este movimento, mostrando que cada contributo, independentemente da sua forma, é fundamental para o sucesso coletivo.
E mesmo sem o programa totalmente fechado, já se sente o pulsar de algo maior. Já se antevê um encontro cheio de alma, onde cada detalhe refletirá o empenho, a união e o orgulho de uma comunidade que se reconhece, que se valoriza e que caminha junta.
A todos os que se estão a envolver, que dão tempo, saber, energia e coração o mais sincero agradecimento da equipa coordenadora (Projeto Raízes, Agrupamento de Escolas de Melgaço, EPARMI-Pólo de Melgaço, Santa Casa da Misericórdia, CLDS5G e Termas de Melgaço). É esta dedicação que mantém viva a alma da nossa terra.
