Melgaço assinalou os ‘52 anos de Abril’. “O fenómeno da censura nunca teve a mesma repercussão na ruralidade de Melgaço. A nós, limitou-nos os movimentos”
As comemorações dos 52 anos do 25 de Abril, que assinala o golpe de estado encabeçado por Salgueiro Maia, também mereceram gesto no concelho mais a Norte.
Na manhã de hoje, o ato solene decorreu no largo Hermenegildo solheiro, em frente aos paços do concelho, com Formatura do Corpo Operacional dos Bombeiros Voluntários de Melgaço e com a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, para o já habitual hastear da bandeira no varandim da Câmara Municipal.

O executivo e membros da Assembleia Municipal, perfilaram-se para o momento, que contou ainda com momento musical protagonizado Bruno Pereira, que cantou duas canções de Abril, antes da saída da Fanfarra para desfile pelas artérias principais da Vila de Melgaço.
“É uma data emblemática e é a comemoração da democracia. Dois anos após 25 de Abril de 1974, tivemos as primeiras eleições livres em Portugal. Obviamente que estes fenómenos têm o seu foco nas grandes metrópoles, mas é uma celebração nacional”, começou por notar o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, a este jornal.
Contudo, considera o autarca, as ‘amarras’ do Estado Novo não ‘apertavam’ em Melgaço da mesma forma que em Lisboa ou Porto. O autarca tinha, à altura do golpe revolucionário que pôs fim ao Governo de Marcello Caetano, três anos de idade [nascera a 27 de Abril de 1971] e não tem memórias de então, mas assume que a história que lhe chega de quem viveu para contá-la, fala de um garrote que apertava mais na liberdade de andar do que na liberdade de falar.
“O fenómeno do Estado Novo, da censura, nunca teve a mesma repercussão na ruralidade, mas todos nós sentimos, particularmente porque limitou muito os movimentos da nossa comunidade emigrante, que quis ir para o estrangeiro à procura de melhores condições de vida e se encontrava muito limitada a esse nível. A PIDE andava aí também, mas em territórios como Melgaço não havia uma pressão tão sufocante sobre as pessoas porque também não era aqui que se passava, a nível político, os movimentos que depois conduziram ao 25 de Abril”, observou.

Ainda assim, as repercussões desse Abril chegaram também ao município raiano que, se não temia a liberdade da palavra, festejou a possibilidade “ampliar os seus horizontes a nível de movimentos, atividades e o fenómeno migratório” que mudaria o país.
“É uma data que também, em Melgaço merece ser comemorada e nós agregámos esta iniciativa. Tivemos este ano um momento diferente, com o Bruno Pereira, que cantou duas músicas relativas a Abril e que criaram aqui um momento de acrescida emoção”, completou o edil.




