O Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, defende a necessidade de um matadouro intermunicipal construído “de raiz” entre Melgaço e Monção ou Monção e Valença para responder às necessidades da região altominhota e, sobretudo, do novo fôlego do sector pecuário do concelho.
“O futuro matadouro é uma infraestrutura extremamente necessária – e ainda mais necessária tendo em conta a aposta que Melgaço está a fazer no setor pecuário, com apoios de alguma monta aos nossos produtores – e passará por criar uma estrutura nova, de raiz. Aquilo que poderemos discutir é se irá ser construída entre Monção e Valença ou Melgaço e Monção, como gostaríamos”, admitiu o edil, em declarações a este jornal.
A resposta ideal para a região, reforça o autarca de Melgaço, passa por “desenhar um novo projeto, agregar associações de produtores, parceiros privados e criar outras valências que neste momento não temos, para que a infraestrutura seja produtiva, autossustentável e responda às necessidades do setor. Mas tem de ser algo pensado no âmbito do Alto Minho e, se possível, encostadinho aqui às nossas serras”, sublinhou o autarca.
Nova infraestrutura será a machadada final na ‘morte anunciada’ do Matadouro Regional de Monção?
Atualmente, o Matadouro Regional de Monção é a única infraestrutura para esse efeito no Alto Minho, mas aquela resposta, inaugurada em 2001, nunca terá registado um ano de resultados positivos sem ajuda financeira da autarquia, o que reaviva o debate sobre a sua sustentabilidade a longo prazo, segundo a Câmara Municipal de Monção e reportagens da Rádio Vale do Minho, publicadas ao longo dos últimos anos.
O equipamento tem um papel estratégico no abate de gado, sobretudo ovino e caprino, e ganhou relevância acrescida com a distinção do “Cordeiro à Moda de Monção” como uma das 7 Maravilhas da Gastronomia Nacional, em 2018. No âmbito do selo de qualidade associado ao prato, o abate dos animais está associado ao Matadouro Regional de Monção, funcionando como elemento de certificação e valorização do produto local, circunstância que deveria impulsionar o volume de abates. No entanto, a realidade tem sido outra. Em 24 anos de operação, o matadouro acumulou mais de um milhão de euros em prejuízos, sempre cobertos por transferências municipais.
Em 2019, o presidente da Câmara Municipal de Monção, António Barbosa, afirmava, em sessão da Assembleia Municipal, que, ao longo dos anos “nunca houve um único exercício em que o matadouro não tivesse tido prejuízo”, admitindo que a autarquia subsidiava a empresa municipal “para tapar os buracos”, referindo-se a 992 mil euros injetados entre 2008 e 2013, mais 30 mil euros em 2016 e outros 30 mil em 2017, segundo a rádio Vale do Minho.
