Já está a decorrer a primeira edição do Melgaço Easter Cup Handball, que, até ao dia 4 de abril promete transformar a região no epicentro europeu do andebol juvenil. O torneio internacional de estreia reúne mais de 1150 atletas, em representação de equipas de referência nacionais e europeias como o FC Porto, os franceses do Lasseube e AS Urrunarrak, e os polacos do MKS Karczew.
O evento é de entrada livre e convida a população a aproveitar o fim de semana prolongado das festividades da Páscoa para assistir a este grande momento desportivo.
Uma estreia com dimensão internacional e forte cooperação regional
Organizado pela Essência Girassol, em estreita parceria com o Município de Melgaço e a Melsport, o torneio destaca-se pela forte sinergia transfronteiriça. Os 162 jogos agendados serão divididos por cinco pavilhões entre Melgaço e os vizinhos municípios de Arbo e da Cañiza (Galiza, Espanha). Em competição estarão 72 equipas (dos escalões U12 a U18, masculinos e femininos), oriundas de 24 clubes de 4 países (Portugal, Espanha, França e Polónia).
Para garantir o sucesso desta megaoperação, que envolve cerca de 1400 participantes diretos, foi ativada uma forte rede de cooperação regional, apoiada por 50 voluntários e elementos de staff, unidades hoteleiras, escolas e associações locais, e os apoios logísticos dos vizinhos municípios galegos.

“Esta prova nasce com o nome de Melgaço e com origem em Melgaço. O que nos surpreende pela positiva é o número de atletas e staff inscritos, que nos coloca já a um nível de outros torneios. que já tem 8, 9 ou 10 anos de existência”, confessa o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, a este jornal.
“Começámos por cima, é um desafio enorme que nos é lançado e já nesta primeira edição, esta envergadura de participantes exige que ultrapasse as fronteiras do município e se alargue ao vizinho município de Monção e também ao outro lado da fronteira, e se necessário, a outros municípios também da raia do Rio Minho”, assegura o autarca.
José Albano Domingues admite que este evento é a concretização da “ambição” do executivo, formalizando assim a cooperação transfronteiriça também ao nível do desporto. Face às limitações financeiras e infraestruturais do concelho, admite pensar “à escala regional” em provas de grande dimensão, chamando à dinâmica promovida pela autarquia os vizinhos concelhos de Arbo, A Caniza e Monção, entre outros.

“Temos que dirigir uma palavra aos nossos parceiros envolvidos neste torneio, como é o Agrupamento de Escolas de Melgaço. Havendo colaboração e entendimento institucional com os nossos parceiros, temos uma parte do problema resolvido. Teremos a outra parte resolvida também pela boa relação que temos com os nossos colegas autarcas, quer do lado de cá da fronteira, quer do lado de lá. Isto permite de facto enfrentar com algum otimismo os desafios que nos podem ser colocados pelo crescimento que se antevê deste torneio, e esperamos que esses desafios se venham a colocar”, salientou.
O “sonho” começou com 500 atletas. Interesse internacional duplicou expectativas. E quem diz mil, diz dois (mil)
O edil de Melgaço admite que o arranque do Easter Cup Handball seria feito com “400 a 500” atletas, mas só esse número ficaria cumprido apenas com a participação dos atletas das equipas nacionais e a vocação internacional do evento não podia ser travada à partida, por isso, foram levando até ao limite do possível em ano de estreia.
“Temos aqui o dobro daquilo que era a previsão inicial. O torneio estava desenhado para acomodar um número limitado de equipas de participantes, que foi esgotada e tornou-se necessário dizer que não a algumas equipas que à última hora se quiseram associar. Esperamos, numa próxima edição, com a preparação e crescimento necessário, possamos acomodar mais equipas, mais participantes e duplicar os participantes que este ano vêm ao território”, adiantou.
Punham-se vários desafios, desde a logística aos transportes, refeições e alojamento. A autarquia assume que estas iniciativas pedem a colaboração e distribuição de apoio e benefícios pelo território e por de parte o “bairrismo” isolacionista.

“A este executivo, desde que iniciou funções, o que mais lhe tem sido colocados são desafios, enormes e a vários níveis. Entendemos que os estamos a suplantar. Não somos bairristas, queremos colaborar com os nossos parceiros, com as autarquias vizinhas, não temos qualquer receio e se for necessário agregar outros municípios para a organização deste torneio, teremos todo o gosto em abordá-los. Creio que seremos bem-sucedidos nesse propósito e associá-los ao Melgaço Easter Cup”, frisou.
