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Melgaço prepara-se para receber, no próximo dia 16 de maio, a primeira edição da iniciativa “Acordar a Terra – Laboratório comunitário dos saberes e sabores de Melgaço”, um encontro comunitário que pretende celebrar a ligação profunda entre as pessoas, a terra e as tradições que moldam a identidade do território.
A apresentação das linhas gerais da iniciativa decorreu ontem, dia 13 de março, nas Termas de Melgaço, perante entidades parceiras, associações e presidentes de junta, enquanto agentes divulgadores e participantes ativos do programa.

A celebração irá decorrer no Largo Hermenegildo Solheiro e no parque de estacionamento adjacente (que se transformará num espaço de cozinha à moda antiga ao vivo e e onde os potes serão, invariavelmente, a principal atração e base para os sabores e aromas da comida minhota), e todo o largo se tornará local de venda de produtos, palco para concertinas, desgarradas e folclore e até teatro sobre a vida local, naquilo que se pretende afirmar como a celebração da mais genuína festa melgacense.

O evento resulta de um trabalho colaborativo entre diversas entidades do concelho, entre as quais o Projeto Raízes (que tem ido ao baú dos saberes melgacenses nos últimos meses), o Agrupamento de Escolas de Melgaço, a EPRAMI, a Santa Casa da Misericórdia, o CLDS-5G de Melgaço e as Termas de Melgaço, assim como da participação ativa de associações, grupos culturais e da comunidade local.
“Acordar a Terra” pretende afirmar-se como “um laboratório público de cultura do território e um convite a pensar o rural como presente e futuro, a partir de quem o vive”. Mais do que uma celebração das tradições, quer estabelecer um espaço de encontro onde a comunidade se reconhece, partilha saberes e reafirma o valor da ruralidade enquanto parte essencial da identidade de Melgaço.
Assim, ao longo do dia 16 de maio (sábado, ainda no rescaldo das celebrações do feriado municipal, que em 2026 é no dia 14), o espaço será organizado em diferentes áreas temáticas que darão a conhecer vários aspetos da vida rural e das tradições locais. Entre elas destacam-se a “Terra Viva”, dedicada à exposição de produtos agrícolas, artesanato e pequenos animais; a “Mesa da Terra”, onde será possível degustar pratos tradicionais da gastronomia local, e a “Cozinha da Terra”, espaço onde receitas antigas serão preparadas ao vivo, recriando o ambiente das cozinhas de outrora.
(Veja a descrição das zonas temáticas abaixo).
A iniciativa incluirá ainda espaços dedicados aos ofícios tradicionais, aos jogos populares e à música e expressão cultural, num programa pensado para envolver diferentes gerações. Estão igualmente previstos concursos ligados às tradições do mundo rural, como o de bucho doce, bem como momentos de animação cultural com folclore, concertinas, desgarradas, teatro e participação de artistas locais.
A equipa coordenadora e dinamizadora da iniciativa – que integra Isabel Domingues e Ângela Ribeiro, do Projeto Raízes; Paula Cerqueira, professora e diretora do Agrupamento de Escolas de Melgaço, e a professora Ester Saleiro, também do Agrupamento de Escolas de Melgaço; Cátia Domingues, da EPRAMI; Manuela Lobato, da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço; Joana Araújo, do CLDS-5G de Melgaço; e Joana Lima, das Termas de Melgaço – assume-se enquanto facilitadora dos processos. “Este é um projeto que se constrói de forma colaborativa, sem hierarquias formais, onde todas as pessoas envolvidas são convidadas a participar em igualdade, contribuindo com os seus conhecimentos, experiências e visões”, esclarece.

“Queremos que cada participante sinta este projeto como seu. Só através de um verdadeiro espírito de entrega e participação coletiva será possível construir algo sólido, com impacto real e duradouro na comunidade. É também um convite a que a sociedade civil assuma um papel mais ativo na dinamização de iniciativas mobilizadoras. Num tempo em que muitos projetos têm surgido de forma institucional, acreditamos que chegou o momento de reforçar o protagonismo das pessoas e das redes locais na construção do futuro do território”, reforça a equipa, que quer somar cada vez mais entidades parceiras entusiasmadas em tornar o 16 de maio uma referência.
No que respeita ao envolvimento da comunidade, o convite e envolvimento direto prevê a participação da comunidade escolar (e das famílias dos alunos), das associações do concelho, da Academia Sénior da Casa do Povo, dos párocos, de grupos de etnografia e música popular, nomeadamente escola de concertinas, grupos de cantares, tocadores de concertina e rusgas, bem como de escolas de dança e patinagem, artesãos, empresas e ainda de entidades públicas, nomeadamente o Município de Melgaço e as Juntas de Freguesia.

Terra Viva
O Espaço Terra Viva será a expressão da ruralidade e da vitalidade produtiva de Melgaço. Aqui serão reunidos produtos agrícolas, plantas aromáticas, legumes, frutos secos e outros produtos da terra, bem como pequenos animais que recordam as práticas agrícolas tradicionais. A presença de produtos transformados, como vinhos, fumeiro, mel e queijos, dará também destaque ao saber-fazer das gentes locais, enquanto o artesanato e os trabalhos manuais revelam a criatividade e o engenho de quem continua a preservar técnicas ancestrais.

Mesa da Terra
O Espaço Mesa da Terra será dedicado à celebração da gastronomia tradicional, colocando no centro da ação as coletividades e a comunidade local enquanto guardiões de receitas e sabores transmitidos ao longo das gerações. Aqui poderão ser degustados pratos típicos da região, entre eles os rojões do reduzelo, febras da sorça, chouriça assada, sopas de cavalo cansado, lampreia seca, sável de escabeche, bacalhau frito com ovos, pataniscas e peixinhos da horta, bem como doces tradicionais como bucho doce, roscas, rosquilhos, massapães e rabanadas de vinho.

Cozinha da Terra
O Espaço Cozinha da Terra recriará o ambiente das cozinhas de outrora, onde o tempo corria ao ritmo do lume e da partilha. O público poderá assistir à confeção de pratos tradicionais preparados em potes de ferro colocados diretamente sobre a fogueira. Entre os pratos a preparar encontram-se caldos tradicionais como caldo verde ou caldo de saramagos, bem como pratos emblemáticos como cozido, lacão com grelos, cabrito, arroz de cabidela ou sarrabulho à moda de Melgaço.

Mesa Comum
Complementando estes espaços gastronómicos, a Mesa Comum surgirá como um ponto de encontro e convivência, com mesas e bancos pensados para acolher a comunidade. Será espaço de refeição e lugar de partilha, onde famílias, amigos e visitantes se sentam lado a lado para saborear receitas que transportam memórias e tradições.

Ofícios que Falam
O Espaço Ofícios que Falam será dedicado ao saber-fazer ancestral. Aqui, artesãos e conhecedores das tradições demonstrarão técnicas como tecer a lã ou o linho em tear, bordados, rendas, cestaria em vime ou a confeção de redes de pesca. Serão também apresentados saberes ligados à vida rural, como o uso tradicional das plantas, o enrestar de cebolas ou a preparação da sorça e enchimento de chouriços.

Elogio à Terra
No espaço Elogio à Terra decorrerão concursos que pretendem homenagear o mundo rural e valorizar práticas, receitas e tradições. Entre as propostas destacam-se concursos de bucho doce, espantalhos e quadras ou cantares ao desafio, sendo atribuídos prémios aos participantes mais bem classificados.

A Terra Brinca
O Espaço A Terra Brinca será dedicado aos jogos tradicionais, proporcionando um ponto de encontro entre gerações e promovendo o convívio através de brincadeiras como o jogo do pião, a macaca, saltar à corda, corrida de sacos, cabra-cega ou o jogo do berlinde.

Palco da Terra
O Palco da Terra será dedicado à música, à palavra e à expressão artística da comunidade. Neste espaço terão lugar atuações de folclore, concertinas, desgarradas, teatro e apresentações de artistas locais, criando momentos de celebração coletiva onde tradição e criatividade se encontram.