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A senda em torno da recuperação do grupo de casas do Posto da Guarda-Fiscal, em São Gregório, continua a dar que falar, mais de dez anos depois das primeiras movimentações para revitalizar aquele complexo histórico.
O executivo socialista, liderado por Manoel Batista, começou bem e começou cedo: empossado em 2013, o sucessor de Rui Solheiro ao ‘trono’ municipal rapidamente procurou resgatar o edifício da ruína. Em 2015, avançava ao jornal “A Voz de Melgaço” que estava em curso o estudo para “um projecto inovador na área social”, que contava, consubstanciando a intenção, com uma equipa de técnicos do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), que, em colaboração com os serviços da autarquia, estava a fazer um levantamento do edificado para definir o projecto.
Em 2016, a autarquia acabaria por desbloquear as licenças para intervenção e utilização do edificado, ao firmar, entre o Município e o Ministério das Finanças, o contrato de concessão que cede, a título gratuito e por um período de 50 anos, o imóvel do Estado, denominado Antiga Estação Fronteiriça de São Gregório.
Nenhum dos projectos estudados avançou, nem social nem turístico, e não se cumpria a promessa de Manoel Batista. O potencial do edificado era reconhecido por todos e até já tinha merecido até ‘cobiça alheia’, como contava David Barbeitos, presidente da Junta de Freguesia de Cristóval, em entrevista para a rubrica “Especial Freguesias”, publicada por este jornal em abril de 2024. O edil contava que um arquitecto quis, “mais do que uma vez”, comprar o conjunto de imóveis para os desmontar e levar.
Questionámos o novo presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, que herdou “um problema com mais de dez anos” e que, tal como Manoel Batista nos primeiros anos de liderança autárquica, o quer resolver.
“Já houve dois protocolos com o município, no sentido de se tentar arranjar uma solução que permita a requalificação daquelas casas. O Revive Natureza [lançado em janeiro de 2026, destinado à revitalização e utilização de antigas casas florestais, quartéis e postos fiscais, com projetos candidatáveis até 200 mil euros] tem a ver com edifícios com uma determinada dimensão, que podem ter um enquadramento orçamental específico. No caso das casas de fronteira, basta pensar que o município teve um projeto e lançou o concurso para um investimento que era da ordem dos 2,5 milhões de euros”, contextualizou o autarca, que adianta já ter iniciado procedimentos para desbloquear aquele ativo.
“Já levámos um técnico credenciado a ver estas construções e já discutimos o futuro das casas de fronteira, não as temos esquecido. É um projeto ambicioso, muito custoso, entendo que só poderá ter seguimento e viabilidade se arranjarmos financiamento para sermos nós, município, a promover a reabilitação e, a partir daí, sim, concessioná-la para exploração por privados. Nenhum privado vai pegar em 2 milhões de euros para fazer a reabilitação daquelas casas e explorá-las, quando sabemos que elas não são desse promotor nem sequer são do município”, vincou José Albano Domingues.

O trabalho no terreno, que a autarquia já assumiu, procura sobretudo encontrar soluções de utilização, que poderão passar pelo alojamento turístico. Para já, a autarquia sabe o que não quer: um núcleo museológico, solução que o edil reconhece que tem promovido a recuperação de património edificado degradado, mas tem deixado um rol de despesas das quais a maior parte dos municípios tem procurado “fugir”.
“Temos quatro núcleos museológicos: Castro Laboreiro, o Museu do Cinema, a Torre de Menagem e o Espaço Memória e Fronteira. Estes museus permitiram reabilitar, mas a adesão e a fruição do espaço, em termos de visitantes, é muito reduzida. Alguns têm meia dúzia de visitas por mês, como por exemplo o Espaço Memória e Fronteira, onde a conta de energia elétrica já chegou a ser da ordem dos 8 mil euros. Portanto, reabilitar sim, construir sim, mas, não pensando que temos de ganhar dinheiro com estes espaços, temos de pensar que o buraco criado com estas reabilitações não seja assim tão grande, porque depois teremos dificuldades como as que neste momento vivemos”, esclarece o edil.
A solução museológica está, por isso, posta de parte do rol de possibilidades das casas do antigo Posto da Guarda Fiscal de São Gregório e mesmo os já estabelecidos, com pouca visitação, poderão conhecer soluções alternativas de utilização.
“Temos de ter a coragem de pensar em alguns destes espaços museológicos que temos e que não têm procura, de eventualmente arranjar uma utilização alternativa para eles. A seu tempo estudaremos essas hipóteses”, admite o edil.