Cerca de 60 alunos da Faculdade de Economia e de outras faculdades da Universidade do Porto rumaram a Melgaço e, até ao final do dia do próximo sábado, 14 de Fevereiro, vão distribuir sorrisos, alegria e ajuda, que é apanágio da Missão País há 23 anos.
Sebastião Couto e Joana Paiva, de 20 anos, estudantes da Faculdade de Economia do Porto (FEP) e chefes-gerais da Missão País desde Setembro de 2025, foram as vozes de apresentação do enorme grupo de missionários que se distribuirá pelas várias IPSS do concelho (e até de porta em porta) a oferecer ajuda e espalhar a essência da fé católica pelas casas e instituições locais.
Recordam que, tal como há 23 anos, continuam a ser mensageiros, como foram os primeiros estudantes que começaram a bater às portas, não para pedir nada, mas para oferecer ajuda e partilhar a mensagem.
“Começaram por ir de casa em casa com a Mãe Peregrina, que é um dos símbolos da missão, e com isso perceberam que, indo às localidades, conseguiam fazer a diferença nas instituições, nos lares, nas creches. No interior, onde infelizmente a população é cada vez mais envelhecida, há necessidade desta energia e deste espírito. Portanto, cada faculdade faz uma semana de missão, por ano letivo, e fica durante três anos na mesma localidade”, explicam os chefes-gerais da Missão, no dia da sua chegada a Melgaço.
Assim, as caras que a comunidade melgacense verá nos próximos dias serão uma referência a guardar: o mesmo grupo voltará em 2027 e 2028 a Melgaço para visitar as casas e as comunidades em que se envolveram nesta primeira abordagem ao território.
“O primeiro ano é o do acolhimento, onde a comunidade nos começa a conhecer; o segundo ano é o da transformação, já nos conhecem, já conseguimos tocar mais as pessoas; e, por fim, o terceiro é o ano do envio, onde enviamos a comunidade e, em princípio, a comunidade já consegue ter esta energia”, explicam.
Durante o período de missão fora de portas, vão trabalhar três vertentes: a missão interna, externa e pessoal.
“A missão externa é o que nós fazemos com a comunidade. Vamos para um lar, uma creche — aqui temos também a APPACDM e a Unidade de Cuidados Continuados — e vamos ao encontro das pessoas, das necessidades delas. Fazemos também o porta-a-porta, que é a missão de levar a Mãe Peregrina às várias casas. Depois temos a missão interna, que é entre nós, missionários, haver coesão do grupo. Todos os dias, depois de voltarmos das valências, lanchamos e temos várias dinâmicas. Temos todos os dias o terço, a missa, depois ficamos todos no convívio”, explicam.
“A nossa missão passa muito por estar ao serviço dos outros, levar-lhes um bocadinho desta alegria e da esperança que a fé católica nos traz. Ao chegarmos a uma creche, os meninos se calhar não vão perceber quem somos, mas veem-nos todos identificados com as cruzes, veem que chegamos sempre com alegria, por muito cansados que estejamos, mas sempre muito felizes e com alegria”, adianta Joana Paiva.
“É esta alegria missionária, de quem foi enviado em missão por Jesus, e tentar levar o Seu nome a todos. E entra muito aqui também esta vertente, a terceira vertente, que é a missão pessoal de cada um dos missionários que trazemos connosco. Nas faculdades apanhamos todo o tipo de contextos e tentamos puxar por essa diferenciação de pessoas e de contextos e tentar dar a conhecer Jesus também aos próprios missionários. Para isso temos sempre, todos os dias, oração da manhã, oração da noite, terço e missa. Esta coesão, fora o ambiente universitário, mas estarmos juntos também na faculdade, não ter medo de falar destas coisas. Não temos de andar com um cartaz a dizer que somos católicos, mas não ter medo de o assumir, de falar destes temas e realmente criar uma amizade baseada em Cristo e levá-la para a universidade, é ótimo”, complementam.
No caso de Melgaço, foi determinante o espírito de acolhimento das entidades e representantes locais da Igreja.
“Fomos muito bem recebidos pelo padre Arcélio, que nos abriu logo a porta, foi o nosso primeiro contacto e tem sido excelente. Quer a nossa presença e nós deixamos desde já esse agradecimento. Foi avisando, nas semanas anteriores, que vínhamos para cá e isso ajuda e torna a vila mais recetiva”, enaltecem.
Sobre a abordagem porta-a-porta, os missionários explicam que há algo que os distingue de eventuais abordagens fraudulentas que, não raras vezes, também batem à porta:
“Estamos sempre identificados. Andamos sempre com a cruz missionária, com a t-shirt que é igual para todos, e com a Mãe Peregrina. Nós nunca pedimos dinheiro, perguntamos se precisam de ajuda. Esta parte é dar, estar ao serviço do outro”, concretizam.
O presidente da Câmara Municipal de Melgaço, José Albano Domingues, ladeado pelo vice-presidente, Manuel Rodrigues, e pela vereadora Liliana Gonçalves, deu as boas-vindas ao grupo da Missão País 2026, com “orgulho e honra”, perante um Salão Nobre repleto de jovens.
“A renovação geracional é uma das nossas maiores carências. Melgaço não tem tido a capacidade de fixar os mais jovens que, tal como vós, também crescem e vão estudar para fora”, notou o edil melgacense, parabenizando os jovens pelo percurso no Ensino Superior e pela ligação à Igreja, motivo desta missão, e pela qual se reúnem em Melgaço em voluntariado.
“Sei que não é fácil, particularmente nos tempos que correm, em que o tempo é sempre muito curto, tirar um bocadinho do vosso tempo, dos vossos estudos, da vossa família, do vosso convívio natural com os vossos amigos, para dedicar, não apenas à missão apostólica, mas fundamentalmente a ir ao encontro dos mais desfavorecidos, mais fragilizados ou mais isolados. Tendes noção do quão importante isso é, mas as pessoas com quem contactais, acreditai, ficarão eternamente agradecidas por terem um momento com alguém que faz o trabalho meritório que fazeis”, sublinhou José Albano Domingues.
“Estamos, infelizmente, em tempos de muito egoísmo, de muito individualismo, de pouca partilha em sociedade, de pouca entreajuda, e aquilo que vós fazeis é partilhar um pouco da vossa vida, do vosso tempo, da vossa energia, com aqueles que mais precisam. Melgaço é um território envelhecido, em que mais de 50% da nossa população tem mais de 60 anos, com um povoamento disperso, em que muitas pessoas vivem sozinhas. É um território com uma aposta forte no setor social. Valorizamos imensamente este momento de partilha que vós estáis dispostos a trazer para Melgaço”, considerou ainda o autarca, no momento da receção oficial nos Paços do Concelho.
Num gesto que, conjuntamente com as restantes entidades, pretende receber “com carinho” os jovens que vêm partilhar o seu tempo e visitar o concelho, José Albano Domingues deixou um pedido aos jovens missionários, para que levem “um bocadinho de Melgaço” consigo. “Para as vossas casas, amigos e instituições de ensino. Melgaço costuma acolher muito bem; o que vos pede é que as recordações que daqui levardes sejam as melhores”, vaticinou.
Recorde-se que, como já avançado por este jornal, a semana de voluntariado encerrará com a peça de teatro “Entre Pratos e Copos”, protagonizado por um dos grupos de missionários, a ter lugar na Casa da Cultura no dia 14 de Fevereiro (sábado), pelas 16 horas.