Vinevinu apresentou portfólio e vinho novo em Melgaço: Marca criada em 2024 soma (em março) 9 referências, criadas entre o mar e a montanha

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Ainda dezembro não ia a meio (nem sequer tinha fechado a primeira quinzena) e já a Vinevinu – a empresa que nasceu por altura da colheita de 2024, pela mão de António Luís Cerdeira e do filho, Manuel Cerdeira – apresentava o seu vinho novo, deitando novamente por terra as convenções estabelecidas, um ‘feitio’ que já lhes vem de outros projectos, neste caso, o entendimento de que o vinho da última colheita só se deve beber ou lançar no ano seguinte.

Já conhecem o território – nunca saíram dele – e tinham apresentado, em março de 2025, o Génese, o seu primeiro vinho lançado pela Vinevinu, que homenageia o território berço do alvarinho. Agora, voltaram ao mercado de lançamentos para jogar cartas novas: o Gerações (o tal nascido, criado e engarrafado em 2025), Alvarinho fresco e mineral; e o CIMA, Alvarinho que tem ovo de cimento e barrica, “mais complexo e estruturado”.

Aos três perfis de vinhos tranquilos made in Melgaço, há outras três novidades que, essas sim, precisaram de mais tempo para se ‘vestir’: o espumante Impossível, que tem por base uvas de Paredes de Coura; o espumante Gerações, que só vai ser lançado oficialmente em março deste ano; e um Bruto Rosé.

“Não considerámos um regresso, porque sempre estivemos aqui e estamos cada vez mais motivados para fazer crescer o nosso projeto. Temos, neste momento, parcerias com viticultores e o sonho da nova adega, que vamos começar, que é um sonho, propriamente dito, e vamos continuar esse sonho. Gerações que sonham, gerações que criam”, começa por contar António Luís Cerdeira, a propósito de um jantar vínico ocorrido em dezembro de 2025 no restaurante 5 Sentidos, com harmonização gastronómica a cargo do chef Álvaro Costa.

O espaço recém-inaugurado da empresária melgacense Vânia Dantas complementou, com cenário intimista e curadoria experimentada de Álvaro Costa no casamento de sabores, a experiência sensorial dos vinhos de um ‘bom filho’ que ‘à casa torna’, para mostrar que continua a desafiar o paradigma.

“O Alvarinho é um fenómeno de gerações. Eu comecei com o meu pai, o meu filho começa comigo e o objetivo é que o conhecimento e a transmissão dos valores passem de gerações para gerações. É isso que faz com que a região, que neste momento já tem pelo menos três gerações ligadas ao Alvarinho, tenha esta ligação entre os conhecimentos de várias faixas etárias. É este conhecimento jovem, que eu aprecio no meu filho, esta irreverência que ele tem e esta nova visão, feita de um estudo lá fora, que trouxe conhecimento cá para dentro”, considera o patriarca e o mais velho desta equipa emergente, apesar dos seus 54 anos de idade.

“Ao fim destes 30 anos de atividade, ainda não estou formado. Espero que o Manuel continue esta formação; o objetivo é mesmo que a transmissão de conhecimento se faça pela vivência diária. Algo que valorizamos na Vinevinu são as novas gerações. A nossa equipa é muito jovem, como se pode ver: o Manuel tem 23 anos, a Margarida tem 26, o Diogo, que começou agora na viticultura, tem 21, e a Carolina tem 35”, sublinhou.

O que, subvertendo um pouco o entendimento tradicional no mundo empresarial, é neste caso considerado uma mais-valia para todo o projecto. “Só convivendo com estas gerações novas, que nos trazem uma nova visão sobre o mundo dos vinhos, é que mantemos o espírito aberto para a descoberta. Não há segredos: se não rejuvenescermos a empresa, ficamos parados”, salientou.

Comunicar e saber chegar aos públicos é cada vez mais uma ‘secção’ fundamental no mundo dos vinhos. Os jovens trouxeram-lhe o estímulo da curiosidade de ver como fazer – e trouxeram de fora novas formas de chegar aos novos produtos – mas também sobre como chegar ao mercado, que tem, no fundo, a palavra essencial sobre o sucesso (ou não) do que é feito entre a vinha, a adega e o laboratório.

“Hoje em dia, o mundo do vinho não é só o mundo técnico, o mundo da enologia ou o mundo da viticultura; é também o mundo da comunicação. Vimos hoje muita gente de diversas áreas que mostra interesse pelo vinho. Por isso, a nossa vontade e a nossa formação contínua em transmitir estes valores através das gerações. E esse é o grande segredo do projeto da Vinevinu”, conclui.

Melgaço, do monte à ribeira, é um verdadeiro case study para os novos alvarinhos

A abundância do verde produtivo no concelho de Melgaço começa por notar-se a partir da entrada no concelho, pelas vias que ligam Monção a Melgaço. Muito mais abundante na zona da ribeira, a ‘personalidade’ do alvarinho plantado entre Penso e Paços é a mais conhecida do grande público. Mas as mudanças de temperatura foram transformando os perfis tradicionais e é na relação entre a ribeira e o monte que surgem as novas texturas do Alvarinho.

“A realidade da nossa região, aqui em Monção e Melgaço, é que temos uma viticultura muito mais abundante na ribeira, até aos 200 metros. A viticultura da encosta é muito menor em termos de quantidade. Por isso, para nós é importante pegar no que a ribeira pode aportar, a zona junto ao rio, que é a estrutura e o volume de boca, e juntar-lhe uma parte de montanha, para dar mais frescura a um vinho que já por si é intenso de fruta. O que é que vai fazer a frescura gustativa, a acidez? Vai fazer com que ele se torne muito mais apetitoso no consumo. Por isso, a ribeira, aqui na zona junto ao rio, vai trazer a ‘gordurinha’ na boca, o volume, e a parte de montanha vai trazer a frescura e a acidez. No caso do Génese e do CIMA, usamos exclusivamente montanha, porque queremos ter vinhos de maior precisão e maior acidez”, explica ainda António Luís Cerdeira.

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“Decidimos lançar um vinho cedo porque vai expressar a intensidade aromática do Alvarinho. Se não o fizéssemos, íamos perder muito da essência do Alvarinho como casta aromática. É essencial para nós ter este perfil no nosso portefólio, ter um 2025 lançado em 2025”, diz o responsável.

Quando é que o Alvarinho novo ganha nova expressão? O experiente timoneiro do projeto Vinevinu diz que só no final de 2026 se perceberá a maturidade do Alvarinho de 2025.

“Será preciso ter pelo menos doze meses, para ele manter esta frescura aromática, porque é um vinho engarrafado cedo. Ao fim dos 12 meses, sim, vamos sentir um Alvarinho a passar para a segunda fase da evolução em garrafa, que já se mostra hoje no Génese, que é um vinho de 2024 e já revela essa complexidade”, acrescentou.

“Eu e o Manuel falámos muito sobre o nosso portfólio e a nossa vontade de o fechar em 2025. E conseguimos ter três vinhos do mar, da zona de Famalicão, três vinhos da montanha, que são os três Alvarinhos de Melgaço, e três espumantes bem diferentes: um de Melgaço, um de Paredes de Coura e um Bruto Rosé”, conclui.

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“Sei que chocou alguns vereadores a proposta de formação de uma entidade privada aqui próxima, no valor de 15 mil euros, mas é preciso entrar em contacto com a realidade, entrar em simuladores com fogo real. Não é só esticar mangueiras na parada, ligar e regular uma agulheta. Há novas técnicas de combate, hoje em dia a maior parte dos incêndios urbanos não se apagam com muita água, é com pouca, tem é de ser bem aplicada”.
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